Maria Inês Saramaga
Diretora de Ambiente, Saúde e Segurança da Aquapor
O Dia Mundial do Ambiente, assinalado a 5 de junho, constitui um momento particularmente relevante para reforçar a importância da gestão ambiental no setor da água e para refletir sobre o papel das organizações na proteção dos recursos naturais. No Grupo Aquapor, a dimensão ambiental é um pilar essencial da nossa atividade operacional diária, transversal a todas as empresas e projetos que integram o Grupo.
Enquanto Diretora de Ambiente, Saúde e Segurança, a minha responsabilidade centra-se na definição, implementação e acompanhamento de sistemas de gestão que assegurem o cumprimento legal, a prevenção de impactes ambientais e a melhoria contínua do desempenho ambiental das nossas operações. Esta atuação desenvolve-se num contexto altamente exigente, marcado por forte regulação, pressão sobre os recursos hídricos e crescente sensibilidade ambiental por parte da sociedade.
A atividade do Grupo Aquapor, pela sua natureza, está intrinsecamente ligada à utilização e gestão de recursos naturais essenciais, com especial destaque para a água. Nesse sentido, a nossa atuação ambiental orienta-se por princípios claros de prevenção, controlo operacional e responsabilização, garantindo que cada intervenção no terreno é planeada e executada com rigor técnico e ambiental.
Um dos eixos fundamentais do nosso trabalho é a gestão dos impactes ambientais associados à exploração e manutenção de infraestruturas de água e saneamento. Isto inclui, entre outros, o controlo de perdas de água, a proteção de solos e linhas de água, a gestão adequada de resíduos, a minimização de emissões atmosféricas e de ruído, bem como a prevenção de situações de poluição acidental. Estes aspetos são sistematicamente integrados na preparação das atividades e no acompanhamento das operações em campo.
A gestão de risco ambiental assume igualmente um papel central. Antes da execução de qualquer intervenção, são avaliados os potenciais impactes e definidas as medidas de mitigação adequadas, assegurando que os riscos são controlados na origem. Esta abordagem preventiva é complementada por mecanismos de monitorização e verificação em obra, garantindo o cumprimento dos requisitos legais e internos aplicáveis.
Outro elemento essencial da nossa atuação é a normalização de procedimentos operacionais ambientais em contexto de empreitada. Trabalhamos com equipas próprias e subempreiteiros, sendo fundamental assegurar o alinhamento de todos os intervenientes com os nossos requisitos ambientais, nomeadamente no que respeita à gestão de resíduos, armazenamento de substâncias perigosas, prevenção de derrames e proteção dos meios recetores.
A conformidade legal constitui um princípio inegociável da nossa atuação. O cumprimento rigoroso da legislação ambiental aplicável é assegurado através de mecanismos de controlo, auditoria e reporte, bem como da formação contínua das equipas operacionais. A isto acresce uma cultura de responsabilidade ambiental que procuramos reforçar diariamente no terreno.
Os desafios futuros são significativos. A crescente variabilidade climática, a intensificação de fenómenos extremos e a maior pressão sobre os sistemas de água exigem uma capacidade acrescida de adaptação operacional e de reforço dos mecanismos de prevenção ambiental. Paralelamente, a complexidade das intervenções e a dispersão geográfica das operações reforçam a necessidade de sistemas de gestão ambiental robustos, consistentes e eficazes.
Neste contexto, o papel da função de Ambiente, Saúde e Segurança torna-se cada vez mais determinante, não apenas na garantia da conformidade, mas sobretudo na antecipação de riscos e na proteção ativa dos recursos naturais sob a nossa responsabilidade.
O compromisso do Grupo Aquapor com a proteção ambiental traduz-se, assim, numa atuação contínua no terreno, suportada por procedimentos, controlo operacional e uma cultura de exigência técnica. É este trabalho diário, muitas vezes pouco visível, que sustenta a nossa contribuição efetiva para a preservação do ambiente.
Neste Dia Mundial do Ambiente, reforço o compromisso de assegurar que todas as nossas atividades são conduzidas com rigor ambiental, responsabilidade e foco permanente na prevenção de impactes, contribuindo para uma gestão da água cada vez mais segura e ambientalmente sustentável.
Cláudia Guerreiro
Diretora de CSR/ESG da Aquapor
Garantir água disponível, em quantidade e qualidade, é hoje muito mais do que uma questão operacional. É uma questão de resiliência dos territórios, da economia e das comunidades. No setor da água, esta mudança de paradigma já se sente diariamente: nas infraestruturas que precisam de responder a fenómenos climáticos mais extremos, na pressão crescente sobre os recursos hídricos e na necessidade de tomar decisões cada vez mais integradas e sustentáveis.
Numa organização como a Aquapor, isto significa repensar a forma como gerimos sistemas, contratos e operações, incorporando temas como risco climático, eficiência energética, circularidade e biodiversidade nas decisões do dia a dia. A sustentabilidade deixou de estar numa dimensão paralela da gestão. Hoje, faz parte da própria continuidade e resiliência do negócio.
No Dia Mundial do Ambiente, mais do que assinalar uma data, importa refletir sobre a forma como as organizações se estão a adaptar a esta nova realidade. Porque os desafios ambientais deixaram de ser apenas temas de futuro — já condicionam investimento, operação, financiamento, regulação e confiança.
Muitos destes desafios começam muito antes da água chegar ao mar. Começam nas bacias hidrográficas sob pressão, nas perdas de água, nas infraestruturas envelhecidas e na necessidade de adaptação a novos padrões climáticos. As alterações climáticas estão a alterar a disponibilidade hídrica e a exigir respostas mais robustas e mais rápidas. Ao mesmo tempo, cresce a exigência regulatória e a necessidade de investimento em infraestruturas capazes de responder a um contexto cada vez mais incerto.
É precisamente nesta dimensão transversal que a função de CSR e ESG ganha maior relevância dentro das organizações. Trabalhar sustentabilidade numa empresa do setor da água implica criar pontes entre áreas muito diferentes — operações, engenharia, risco, compras, recursos humanos ou gestão de topo — garantindo que objetivos estratégicos se traduzem em decisões concretas no terreno.
Grande parte deste trabalho organizacional passa por promover alinhamento interno: entre prioridades operacionais e metas de longo prazo, entre exigências regulatórias e capacidade de execução, entre eficiência económica e impacto ambiental.
Nenhuma transformação desta dimensão acontece apenas através de políticas ou indicadores. Enquanto Diretora de CSR|ESG é minha responsabilidade garantir que a sustentabilidade deixa de ser vista como uma responsabilidade isolada para passar a fazer parte da cultura de decisão da organização.
Essa mobilização é particularmente importante num setor operacionalmente exigente como o da água, onde pequenas decisões técnicas podem ter impacto significativo na eficiência dos sistemas, no consumo de recursos ou na resiliência das infraestruturas. É nesse equilíbrio entre visão estratégica e execução operacional que a função ESG pode gerar maior valor para as organizações.
Esse esforço coletivo tem vindo a traduzir-se em resultados concretos. Em 2025, 87,75% da eletricidade consumida teve origem em fontes renováveis e mantivemos uma trajetória de redução de emissões alinhada com o roteiro climático do Grupo SAUR, com uma diminuição de 46,2% nas emissões Scope 1 e 2 face ao ano anterior. Na qualidade da água distribuída, os níveis de conformidade mantiveram-se acima dos 98%, enquanto a eficiência da rede atingiu os 85,4%.
Também na área da economia circular têm sido dados passos relevantes. A valorização de lamas, a produção de biogás e o crescimento da reutilização de águas residuais tratadas demonstram que o setor está gradualmente a evoluir para modelos mais circulares e eficientes. Talvez uma das mudanças mais importantes seja precisamente esta: começarmos a olhar para muitos dos subprodutos do processo não como resíduos, mas como recursos com potencial de valorização.
Os desafios que temos pela frente continuam a ser exigentes e, em alguns casos, de equilíbrio difícil — sobretudo quando é necessário conciliar a trajetória de descarbonização com o crescimento económico e a continuidade do serviço: Descarbonizar o ciclo urbano da água exige investimento consistente e inovação tecnológica para redução da Intensidade Carbónica. Adaptar sistemas concebidos para realidades climáticas diferentes implica rever modelos de planeamento e reforçar a cooperação entre empresas, municípios e Estado. Já integrar biodiversidade, risco climático e transparência nos processos de decisão requer novas competências e, sobretudo, formas mais robustas de medir e gerir impacto.
Ao mesmo tempo, num contexto marcado pela CSRD e pela taxonomia europeia, comunicar com rigor tornou-se indispensável. A sustentabilidade não pode viver apenas de intenções ou narrativas. Precisa de métricas, consistência e resultados verificáveis.
Talvez seja essa uma das maiores transformações que estamos a viver: a sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda reputacional para passar a ser uma agenda de gestão, resiliência e continuidade operacional.
E no setor da água essa realidade torna-se particularmente evidente. Porque proteger a água é, cada vez mais, proteger a estabilidade dos territórios, das comunidades e das gerações futuras.


